Ambiente gostoso!

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25 de setembro de 2009

CURSO DE PANLEXIA

















INSCRIÇÕES ABERTAS !!

CURSO DE PANLEXIA, CONFIRA FLYER EM ANEXO

LOCAL DO CURSO: FRAIBURGO-SC

DATAS: 23/10- PERÍODO NOTURNO
24/10- PERÍODO MATUTINO E VESPERTINO

INSCRIÇÕES ATÉ 20/10 - R$-60,00
GRUPOS 5 PESSOAS R$-50,00

CERTIFICAÇÃO 20 HORAS

APROVEITE VAGAS LIMITADAS.

31 de agosto de 2009

Parabéns pelos 2 anos!

Dia 28 de agosto o Espaço Educativo Vivendo e Aprendendo comemorou 2 anos de existência. Toda a equipe está feliz com mais uma velinha soprada. Ruth Coutinho Staedele, a grande idealizadora, que muito generosamente divide com todas nós um sonho que sempre foi seu. E aqui estamos...felizes e dando o melhor de cada uma de nós para fazer juz a esta generosidade e confiança. E que venham muitos outros aniversários!!!! Parabéns ao espaço educativo!!!!!

21 de agosto de 2009

DISLEXIA SOB O ENFOQUE PSICOPEDAGÓGICO:

Ruth Coutinho Staedele
Everaldo da Silva

Resumo

Com os avanços da ciência e tecnologia, colocando a questão do conhecimento como prioritário, exigem-se pessoas cada vez mais capazes de criar e transformar o conhecimento. Em contrapartida, observa-se, no mundo letrado em que vivemos, pessoas impossibilitadas e incapazes de ler e escrever. A esta dificuldade damos o nome de dislexia. Uma ação eficaz se faz necessária para saber o que é, quais os seus sinais e que ação psicopedagógica pode ser a mais eficiente. O ponto de partida é uma avaliação investigativa através de uma equipe multidisciplinar, onde o psicopedagogo tem papel fundamental de sinalizar os sintomas mais evidentes do transtorno para que ocorra uma ação educativa amenizando os efeitos maléficos da dislexia. Este artigo, fruto de pesquisa bibliográfica e vivências do cotidiano, aborda o tema, querendo pontuar a trajetória dos portadores de dislexia que têm uma caminhada difícil durante a sua escolaridade e que se perpetua durante a vida, refletindo sobre o tratamento e reabilitação com os disléxicos para que tenham dignidade perante a sociedade em que estão inseridos.

Palavras-chave: Dislexia. Educador. Educando. Leitura. Escrita. Psicopedagogo.


1 INTRODUÇÃO

A palavra dislexia é originária do grego e está subdividida em duas partes: “dis”, que é a dificuldade e “lexia”, linguagem. Atualmente sabemos que a dislexia atinge uma em cada cinco crianças nos Estados Unidos. Sabe-se que a maior parte das crianças tem um grande desejo de ler, e o fazem naturalmente, muitas vezes sem ajuda de um professor. Contudo, com as crianças disléxicas esta experiência é frustrante e persistente durante a vida.

No decorrer dos tempos, estudiosos principalmente neurologistas, educadores estão envolvidos no estudo da dislexia. A dislexia tem base neurológica e sua causa é genética. Por isso é hereditário, o que justifica repetir-se nas mesmas famílias e sua incidência é maior no sexo masculino, numa proporção de 3/1.

Acredita-se que a dislexia pode ser amenizada com estratégias que favoreçam o ambiente escolar e social. Para que se possa lidar com este transtorno, necessita-se conhecer os seus sinais, pois ela se torna mais evidente na época da alfabetização. Geralmente quem em primeiro lugar percebe os sinais de dislexia são os professores e as mães dessas crianças. As percepções costumam aparecer quando a criança está em fase de alfabetização e apresenta dificuldades na leitura e na escrita.

A dislexia é uma dificuldade especifica no aprendizado da leitura, escrita, soletração, cálculos matemáticos, bem como a linguagem corporal e social. Não tem como causa, a motivação, à vontade ou a falta de interesse. A dificuldade maior no aprendizado dos disléxicos é na linguagem e se apresenta em diferentes graus. Não é uma doença, é um funcionamento diferenciado do cérebro para o processamento da linguagem. Pesquisas atuais, obtidas através de imagens cerebrais, acreditam que os disléxicos processam diferentemente as informações, tornando-as pessoas únicas em seu modo de aprender.

Baseada na experiência clínica de Jardini (2003, p .42) tem-se:

Que pelo fato dos disléxicos lidarem com os dois hemisférios cerebrais, direito e esquerdo, simultaneamente, muitas vezes sem o predomínio de dominância cerebral, têm potencialmente, desenvolvidas mais habilidades, que trabalhando em conjunto, capacitam-nos acima dos “normais”, realizando com maestria inúmeras atividades ao mesmo tempo.

É importante que todos os que trabalham nesta área tenham um olhar humano e lúcido para entender realmente o que é dislexia, pois antes de uma definição fechada, é um jeito de ser e de aprender diferente. Pesquisadores e estudiosos acreditam que os disléxicos têm grandes chances de terem sucesso, uma vez que pelo ensino convencional travaram uma luta diária e com isso estimularam sua criatividade desenvolvendo habilidades para lidar melhor com seus problemas e frustrações.


2 O QUE É DISLEXIA

A dislexia é uma das mais comuns deficiências de aprendizado, e tem como causa principal uma dificuldade no ato de aprender a ler, escrever e soletrar. A dislexia, segundo Dubois (1993, p.197), “É um defeito de aprendizagem da leitura caracterizada por dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos, às vezes mal reconhecidos, e fonemas, muitas vezes, mal identificados”.

Pessoas disléxicas e que nunca se trataram lêem com dificuldade, pois é difícil para elas assimilarem palavras, fazer a diferenciação entre os fonemas e grafemas destas palavras. Disléxicos geralmente soletram muito mal. Isto não quer dizer que crianças disléxicas são menos inteligentes; aliás, muitas delas apresentam um grau de inteligência normal ou até superior ao da maioria da população.

A complexidade do entendimento do que é dislexia está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano: quem somos; o que é Memória e Pensamento, Pensamento e Linguagem; como aprendemos e o porquê de encontrar facilidades até geniais, mescladas de dificuldades até básicas em nosso processo individual de aprendizado. O maior problema para assimilarmos esta realidade está no conceito arcaico de que: "quem é bom, é bom em tudo"; isto é, a pessoa, porque é inteligente, tem que saber tudo e ser habilidosa em tudo o que faz.

A dislexia persiste apesar da boa escolaridade. É necessário que pais e educadores estejam cientes de que um alto número de crianças sofre de dislexia. Caso contrário, eles confundirão dislexia com preguiça, má vontade e até má disciplina. É normal que crianças disléxicas expressem sua frustração por meio de mau comportamento dentro e fora da sala de aula. Portanto, pais e educadores devem saber identificar os sinais que indicam que uma criança é disléxica e não preguiçosa pouco inteligente ou mal-comportada.
A dislexia é um transtorno específico de linguagem decorrente de disfunção neurológica nos centros de processamento fonológicos da linguagem, descrito no livro de Classificação Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10 e Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – DSM-IV.
A dislexia não deve ser motivo de vergonha para crianças que sofrem dela ou para seus pais. Dislexia não significa falta de inteligência e não é um indicativo de futuras dificuldades acadêmicas e profissionais. A dislexia, principalmente quando tratada, não implica em falta de sucesso no futuro. Alguns exemplos de pessoas disléxicas que obtiveram grande sucesso profissional são Thomas Edison (inventor), Tom Cruise (ator), Walt Disney (fundador dos personagens e estúdios Disney) e Agatha Christie (autora). Alguns pesquisadores acreditam que pessoas disléxicas têm até uma maior probabilidade de serem bem sucedidas; acredita-se que a batalha inicial de disléxicos para aprender de maneira convencional estimula sua criatividade e desenvolve uma habilidade para lidar melhor com problemas e com as frustrações que a vida lhes imprime. Em particular, a dislexia reflete uma deficiência no processamento auditivo central, resultando desta dificuldade pouca consciência fonológica dos fonemas e como consequência as dificuldades na leitura e na escrita.


2.1 TIPOS DE DISLEXIA

A dislexia atualmente é compreendida como uma síndrome que não se apresenta de uma forma única, em todas as crianças que são portadoras deste transtorno. A dislexia se apresenta em diferentes graus, estabelecendo-se a seguinte classificação: disfonética é a dislexia predominantemente fonológica e apresenta muita destas características: são as trocas de fonemas e grafemas, alterações na ordem das letras e sílabas, omissões ou acréscimos de letras, sílabas, palavras, muita dificuldade em discriminar os sons. Percebe-se também a substituição de palavras por sinônimos na escrita, não memoriza a tabuada, confusão de direita com esquerda, apresenta baixa auto-estima afetiva e intelectual.

Como os sujeitos percebem as palavras de forma global, efetuam trocas de palavras por palavras semelhantes. Geralmente os disléxicos com este tipo de dislexia, apresentam dificuldade maior na escrita. Segundo Carrol (1969 p. 234): “A disfonética se dá através de dificuldade auditiva, de análise e síntese, de discriminação, dificuldades temporais em perceber sucessão e duração”.

Outra forma da dislexia se apresentar é a diseidética, que se caracteriza por dificuldades predominantemente visuais. Estas dificuldades teriam como conseqüência a leitura silábica, troca por equivalentes fonéticos, dificuldade na coordenação e ritmo, letra ilegível e irregular, dificuldades em memorizar nomes, dificuldade na compreensão da leitura, divisão silábica, apresentando uma dificuldade maior para a leitura do que para a escrita. É sujeito que apresentam desatenção, resistência em atender ordens e limites, são desajeitados às vezes hiperativos. Segundo Carrol, (1969, p.198): “Dislexia Diseidética é a que possue dificuldades visuais, na percepção questáltica, na análise e síntese e dificuldades espaciais (percepção das direções, localizações, relações e distâncias)”.

Dislexia mista se caracteriza por leitores que apresentam problemas dos dois tipos acima citados: disfonéticos e diseidéticos. É importante ressaltar que é mais freqüente em um quadro de dislexia, que as alterações tratadas acima se apresentem de modo combinado, sendo mais comum observarmos uma dislexia mista. Ressaltamos também que os dois tipos de dislexia merecem ser tratados com um trabalho efetivo de reabilitação por profissionais competentes, pois os dois tipos são confundidos por seus pais e educadores como alunos desinteressados, negligentes, pois a atenção e interesse tendem a piorar quando pressionados ou largados.

Conforme relata Jardini (2003, p. 52) observa-se algumas reações pelos disléxicos no decorrer de sua vida escolar:

• Rejeição à escola/professora;
• Rejeição às tarefas escolares e domésticas;
• Desistência, apatia, desinteresse;
• Auto-suficiência, o “sabe-tudo”;
• Perfeccionismo;
• Fuga-vício em TV, Videogame. ”Surdez seletiva”
• Os pais recorrem à chantagem, castigos e recompensas materiais;
• Falta de responsabilidade;
• Serem crianças “folgadas” que escravizam seus irmãos e pais;

Estes problemas sugerem um tratamento que objetiva prioridades em curto prazo, concentrando esforços numa atividade de cada vez, falando abertamente com o disléxico sobre as suas dificuldades e mostrando-lhe a necessidade de empenho, respeitando o tempo de aprendizagem e reavaliando constantemente o seu progresso.

2.2 SINAIS E CARACTERISTICAS DA DISLEXIA

Os primeiros sinais de Dislexia na idade escolar podem ser detectados quando a criança apesar de estudar numa escola de ótima ensinagem, e estiver integrada num ambiente letrado, tem grande dificuldade em assimilar o que lhe é ensinado. Alguns dizem que a dislexia ocorre por causa de alteração no ouvido interno, que enviaria sinais distorcidos para o cérebro. “Os sinais não haverão de depender da intensidade da alteração dos sinais que chegam à localização e da função das áreas cerebrais que recebem os sinais distorcidos, bem como na capacidade do cérebro para interpretar a mensagem alterada”. (ROBIN, 1959).

Estas crianças apesar de muito inteligentes, com uma capacidade surpreendente, podem ser disléxicas. O melhor procedimento a ser adotado depois da suspeita é indicar uma equipe multidisciplinar para saber se é ou não disléxica. Os profissionais que fazem parte desta avaliação são o neuropediatra, o psicopedagogo, o psicólogo e o fonoaudiólogo.

Pesquisas cientificas neurobiológicas mostram que o sintoma mais conclusivo em uma criança é o atraso na aquisição da fala e a distorção e não percepção da sonoridade fonética das palavras. A dificuldade da discriminação fonética leva a criança a pronunciar as palavras de maneira errada, pois não percebe os sons básicos que compõem a palavra, já a partir do som da letra e da sílaba desde a mais tenra idade.

Portanto, sua dificuldade fonológica não se refere ao significado da palavra inteira, mas das partes sonoras de que a palavra é composta. Conforme Shaywitz (2006, p. 102):

“Os sinais mais contundentes da criança na idade escolar são”:
• Deficiência em entender, que as palavras podem ser divididas em partes. Incapacidade de ler palavras simples ou de pronunciá-las.
• Discurso não fluente durante a fala. Necessidade de tempo de encontrar a palavras certas, confundindo as palavras.
• Quando questionado leva tempo para dar uma resposta oral.
• Dificuldade em lembrar datas, números de telefones, listas...
• Utilização da língua imprecisa (memória imediata), tais como “coisa” em vez de usar o nome correto do objeto.
• A influência da leitura é inadequada, inventando, acrescentando e omitindo palavras ao ler e ao escrever.
• Desliga-se facilmente, entrando no “Mundo da lua”.
• Baixa auto-imagem e auto-estima, não gostam de ir para a escola. Esquiva-se de ler, especialmente em voz alta, pois geralmente apresenta leitura soletrada e sem ritmo.
• È impulsivo e interrompe os demais para falar, apresentando mudanças bruscas de humor.
• Omite, acrescenta troca e inverte a ordem e a direção das letras e das silabas. Dificuldade para ler as horas, sequências de dias, mês e as estações do ano.
• Excelente memória de longo prazo, lembrando experiências, lugares, filmes.
• Confunde direita-esquerda, em cima, embaixo, na frente, atrás.
• “Frustra-se facilmente com a escola, com a leitura, escrita e a matemática”.

Geralmente as crianças disléxicas apresentam combinações desses sinais, variando de intensidade de maneira muito pessoal. Após estes sinais serem detectados na vida escolar de um aluno através da avaliação multidisciplinar, sempre há uma maneira de contornar e amenizar o problema. É imprescindível que os pais e professores estejam atentos e possam ajudar o aluno com eventuais sinais de dislexia, apontando novos caminhos, encaminhando-os para os profissionais especializados para que os ajudem na dificuldade apresentada.


2.3 O PROFESSOR E O ALUNO DISLÉXICO

A escola é sempre o espaço onde a criança com dislexia vai sentir o maior impacto. Sempre que estiver lendo, escrevendo, fazendo suas atividades e interagindo com seus colegas, estará enfrentando, diariamente seu transtorno de aprendizagem.

Acredita-se que uma criança disléxica tem suas necessidades educacionais particulares, portanto cabe ao professor estudá-lo e pesquisar até encontrar o melhor meio de trabalhar com este aluno.Usar sempre mais de um canal de aprendizagem e informação, com diferentes recursos multissensoriais, criando novas formas de ensinar o mesmo assunto.

A criança com dislexia difere das outras da mesma idade em várias maneiras. Estas diferenças não são evidentes em todas as crianças com dislexia, e elas ocorrem em diversas combinações, assim como no nível de dificuldades varia muito. Por isto é muito importante que os educadores tenham informações dos sintomas da dislexia. (FILHO; THOMÈ, 2000, p. 256).

Sabe-se que para trabalhar com disléxicos o educador deve ter conhecimento e ser capacitado. Precisa saber quais os sinais, bem como saber diagnosticar a dislexia. Com este conhecimento trabalhará com o aluno, não permitindo que este se sinta excluído e com auto-estima baixa.

Observa-se muitas vezes, que os educadores têm um desconhecimento sobre o transtorno, considerando o aluno preguiçoso, desatento e sem motivação para aprender. Devido a estas desinformações, é importante que profissionais da área informem os educadores e responsáveis tudo a respeito da dislexia, para que possam saber lidar com esta dificuldade. Sem estas informações, os envolvidos com a situação, podem muitas vezes fazer com que o aluno disléxico trilhe por caminhos tortuosos, que acabam desestruturando sua vida e o meio social em que vive. Os educadores sem o devido conhecimento e preocupados em repassar conteúdos, sem saber como agir diante das dificuldades apresentadas, começam a discriminá-los.

Para trabalhar com esta criança o educador necessita primeiramente de muita paciência e compreensão, buscando motivação diária para atender as necessidades que um disléxico apresenta. Este não pode ser alfabetizado pelo método global, pois a criança disléxica não consegue visualizar o todo, necessitando dos recursos multissensoriais, através de todos os sentidos, pois sua maior dificuldade é fixar os fonemas.

O educador necessita de muita força de vontade para ajudá-lo, pois não existe uma receita ou um método especifico para alfabetizar. Necessita conhecer o assunto, buscar novas informações e pesquisar sobre dislexia, para saber que atividades fazer com este aluno, pois nenhum disléxico é igual.

Pais e educadores precisam trabalhar em conjunto, todos numa só direção, buscando aumentar a auto-estima do disléxico, valorizando o que ele já consegue fazer sozinho, tomando o cuidado para não pontuar os erros cometidos, dando maior ênfase aos acertos e conquistas.

Além disso, alunos disléxicos necessitam de uma atenção especial por parte dos educadores, que deve ser o mais natural possível, pois é um aluno como outro qualquer, apenas é disléxico. O olhar deve ser dirigido diretamente quando falar com ele, isso enriquece e favorece muita a comunicação. Sentá-lo mais próximo possível da mesa do educador, pois favorece o diálogo, facilita o acompanhamento, cria e fortalece novos vínculos.

O educador deve observar se o aluno está interagindo com seus colegas. Geralmente tem qualidades que são valorizadas favorecendo o relacionamento. Entretanto apresenta dificuldades nas atividades em grupo e os colegas tendem a rejeitá-lo nestes momentos. Com um jeitinho especial e muito discretamente o professor deve inserí-lo no grupo.

Outra maneira de auxiliar este aluno é explicando a ele o que é dislexia, ajudando-o em sua aprendizagem e incentivando-o a buscar sempre mais o conhecimento, com persistência e dedicação. O professor que trabalha com disléxico, jamais deverá fazê-lo ler em voz alta, frente aos colegas, pois isto o deixa muito constrangido. Permitir em muitos momentos o uso do gravador, calculadora, recursos da informática, estimulando-o ao uso de outras linguagens, principalmente os recursos multissensoriais.

O educador necessita de boa vontade para colaborar nesse processo, pois não existe uma receita ou um método especifico para alfabetizar. O educador necessita conhecer o assunto, buscar novas informações e pesquisar sobre dislexia, para saber que atividades fazer com este aluno, pois nenhum disléxico é igual. O educador deve estar oportunizando ao seu aluno disléxico um desenvolvimento global, sabendo que seu ritmo de aprendizagem é outro, sendo humano e sensível, independente do fato desse aluno apresentar uma dificuldade ou não.

Para minimizar os problemas advindos deste transtorno Jardini (2003, p.53) sugere algumas dicas para a sala de aula:

• Colocá-lo de frente e no centro da lousa, preferencialmente na primeira carteira.
• Tê-lo sempre perto da professora, principalmente na organização e seqüência das atividades.
• Exigir disciplina e concentração no conteúdo abordado, permitindo opiniões espontâneas, desde que pertinentes ao assunto. Dizer ao aluno caso sua colocação esteja fora do contexto.
• Valorizar sempre o conteúdo trabalhado e “tolerar” as dificuldades gramaticais, como letra maiúscula, parágrafo, pontuação, acentuação, caligrafia irregular. Diminuir a tolerância à medida que os anos escolares se sucedem.
• O disléxico tem dificuldade com a orientação e organização espaciais. Pode pular folhas do caderno, linhas, escrever em apostila trocada, fazer anotações em locais inadequados. Mostrar sempre o certo, não punir o erro e não criticá-lo pela falta de atenção.
• Estar sempre em contato com o profissional que atende o aluno, sabendo quais letras já foram trabalhadas para que possa ser exigido o acerto.
• Não trabalhar no limite, esperando que com o tempo vai passar. Sempre entre em contato com a coordenação, com os pais, com os profissionais que atendem o disléxico. O stress do professor só piora a quadro, traz frustração e afeta a motivação de todos. Mantenha o bom humor e a confiança de que haverá sucesso.

Acredita-se que o educador deve trabalhar sempre com os disléxicos observando os pontos fortes que estas pessoas apresentam positivamente e que as distinguem de outras, sobressaindo-se das demais. Destaca-se alguns desses fatores, como: bom humor, bom nível intelectual, muita criatividade, facilidade em fazer amigos, aptidões artísticas e intuitivas e habilidade em lidar com muitas situações ao mesmo tempo.



2.5 DISLEXIA SOB O ENFOQUE PSICOPEDAGÓGICO

Sob o enfoque psicopedagógico a dislexia é um transtorno do processo de aprendizagem que se observa no início da aquisição da leitura, escrita e na soletração. Os educandos apresentam uma ineficiência incomum nas habilidades da leitura e escrita no decorrer do seu desenvolvimento educacional, apesar de possuírem uma grande potencialidade.

A dislexia vai surgir nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita. É uma dificuldade específica nos processamentos da linguagem para reconhecer, associar e ordenar os sons e as formas das letras, organizando-as corretamente. É certamente um modo diferenciado no funcionamento dos centros neurológicos de linguagem. É frequente encontrar-se outras pessoas da mesma família com as histórias de insucesso na escola. O importante é aceitar a dislexia como uma dificuldade de linguagem que deve ser tratada por profissionais especializados.

Há crianças que apesar de todas as dificuldades, conseguem se alfabetizar, mas vão carregando a sua dislexia muito camuflada, e são vistas como desinteressadas e cobradas com exigências que não tem como pagar. Devido a isto surgem as reações de apatia, revolta e conflitos da criança e dos familiares.

O primeiro passo a ser feito é se iniciar um trabalho psicopedagógico com o disléxico. Esta intervenção psicopedagógica tem para o disléxico, um caráter de urgência e o estará habilitando para a leitura e a escrita, uma vez que são habilidades básicas para o conhecimento de si mesmo e do mundo que o cerca. Esta atuação psicopedagógica também deve ser estendida à família do disléxico, inserindo-a ao tratamento, já que ela também sofre os insucessos e fracassos de seus filhos, pois faz tentativas de auxiliar o filho que fracassam.

Para tanto a dinâmica familiar deve mudar e necessita receber apoio e orientação para minimizar a ansiedade gerada. Esta ação se deve estender também à escola, sensibilizando seus educadores de que o disléxico pode aprender, que merece o respeito de todos os envolvidos em sua educação, mas que necessita de técnicas e estratégias que o ajudem nessa caminhada.

Sabe-se que esta intervenção é de fundamental importância e que a Psicopedagogia pode contribuir em muitos aspectos conforme nos relata Scoz:( 1994, p. 160)

A Psicopedagogia seria a área de atuação mais indicada para atender às crianças com problema para aprender, porque oferece uma ação multidisciplinar e conta com um acervo de técnicas de diagnóstico e tratamento capazes de atingir e eliminar os problemas de aprendizagem em suas raízes. O trabalho psicopedagógico também auxilia o aluno na sua produção escolar e para além dela, ao colocá-lo em contato com suas reações frente à tarefa escolar, com seus vínculos com pessoas ou com conteúdos escolares, com seus lapsos, bloqueios, sentimentos de angústia e hesitações.

O olhar e escuta psicopedagógicos, entendem a dislexia: sob um viés integrativo, onde o aluno é visto de forma holística, bem como a instituição família e sistema educacional, na figura da escola. A atuação psicopedagógica visa auxiliar o aluno para que este tenha um desenvolvimento na aprendizagem que lhe seja significativo e prazeroso, sabendo que ele realmente pode e é capaz de produzir. Que todo o trabalho psicopedagógico seja consistente e articulado com todo o processo educacional, considerando o ser humano em toda a sua amplitude.


2.6 TRATAMENTO PARA OS DISLÉXICOS

Apesar de o assunto dislexia ser bastante antigo, hoje é que a dislexia se torna mais presente, nas discussões em sala de aula, entre os educadores e diretores escolares. Porém apesar de discutir não sabem como fazer para ajudar os alunos disléxicos.

Sabe-se da grande importância de se conhecer os sinais e sintomas dos disléxicos, para que possa ser administrado um tratamento efetivo, para determinar com eficácia os fatores mais relevantes para uma reabilitação de sucesso. Além disso, o diagnóstico deve ter significado para os pais e educadores, assim como para o aluno.

Felizmente, já existem tratamentos que minimizam os traumas da dislexia. Estes tratamentos buscam estimular a capacidade cerebral de relacionar letras aos sons que as representam e ao significado das palavras que elas formam. Muitos estudiosos do assunto acreditam que quanto mais cedo é tratada a dislexia, maior a chance de corrigir as falhas que esta apresenta ao longo da escolaridade, pois o disléxico sofrendo com contínuas exigências, sofre as frustrações e marcas do seu insucesso, fazendo com que sua auto-imagem se carregue de características negativas, provocando o sentimento cada vez maior de incompetência e inadequação.

O passo inicial do tratamento é a intervenção psicopedagógica, procurando buscar os talentos do disléxico, pontuando o que já é capaz de fazer, ajudando-o a descobrir modos compensatórios de aprender. Uma maneira bastante prazerosa e que traz resultados é o trabalho com jogos educativos, leituras e letras musicais, rimas e parlendas, atividades para desenvolver a escrita e habilidades de memória e atenção. À medida que vai acontecendo avanço na aprendizagem, o disléxico vai adquirindo a autoconfiança e resgatando a sua auto-estima.
É importante no tratamento da dislexia haver um programa em etapas, e mudar somente quando o anterior for completamente absorvido e sempre retornar as etapas anteriores. Dando a este tratamento o nome de sistema multissensorial e cumulativo. (PAIN, 1978, p. 93).


Para o profissional que trabalha com esta problemática a dislexia é uma dificuldade na leitura e escrita. O melhor tratamento para a criança é colocá-la em contato com os sons da língua, de forma que se escutem os sons lingüísticos. Fazer leituras de textos que contenham aliterações, rimas, músicas, estimulações de funções cognitivo-perceptivas, coordenação motora fina, seqüência numérica, formas de letras.

O melhor auxilio a ser dado a esta criança é trabalhar a consciência fonológica com técnicas específicas e estimulação oral e auditiva favorecendo o processamento de sons e estimulando e minimizando as deficiências que apresenta.

Segundo Vicente Martins (2002 p. 65): “Nossas escolas não estão preparadas para receber nossos alunos disléxicos, pois há educadores desinformados do que seja realmente o disléxico”.

Para os psicólogos, a origem da dislexia esta em um distúrbio da linguagem, que pode ser oral, escrita, ou as duas formas juntas. O melhor tratamento a ser feito com a criança disléxica, é em primeiro lugar não compará-la com outras crianças e não exercer pressão sobre ela, como leitura em voz alta perante aos outros alunos. É importante saber que a criança disléxica não é portadora de deficiência mental, física, auditiva, visual ou múltipla. É uma condição humana, o fato de a criança ser disléxica pode lhe comprometer o estado emocional.

O melhor tratamento para essa criança é o acompanhamento de uma equipe de profissionais, juntamente com o professor das séries iniciais. O melhor auxílio a ser dado para esta criança é fazer um trabalho paralelo utilizando a compreensão da linguagem oral e escrita usando todos os recursos multissensoriais. É importante também fazer um trabalho conjunto com o professor para que o mesmo reconheça uma criança com problemas de incapacidade de escrever e ler e a encaminhe o mais breve possível para um programa de reabilitação.


3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apresentou-se este trabalho com a intenção de propor aos leitores uma reflexão sobre dislexia, tema este que já foi debatido em novela, encontrado diariamente nos meios escolares, mas ainda desconhecido pela maioria dos indivíduos, principalmente educadores que trabalham com os mesmos.

Por isso trata-se de conceituar dislexia, bem como relatar sobre os sinais e estratégias que os educadores devem usar para trabalhar com seus educandos. Ressaltam-se também os transtornos mais evidentes e as dicas de como trabalhar em sala de aula com os disléxicos para que possam assegurar o acesso às suas reais necessidades bem como condições de enfrentar o seu dia-a-dia com mais humanidade.

Aborda-se também a atuação psicopedagógica que se faz necessária e que vai ser direcionada aos sintomas do educando, visando à superação dos mesmos, já que estes acabam impedindo a evolução do seu processo de aprendizagem.O principal objetivo é refletir sobre a prática que norteia o fazer psicopedagógico.Sabe-se que a aprendizagem passa por um processo de construção e reconstrução e por isso a importância desta ação que é como, e o que se deve ensinar.

Acredita-se que os psicopedagogos estão habilitados para iniciarem o trabalho na intervenção precoce em alunos com dislexia, pois possuem formação mais específica que a de outros educadores em relação à fundamentação teórica destas dificuldades de aprendizagem, trabalhando efetivamente para corrigir os erros de leitura e escrita bem como os problemas comportamentais apresentados pelo aluno no seu desenvolvimento educacional, orientando tanto a escola, como os pais.

Afirma-se cada vez mais que o trabalho com o aprendizado escolar deve ser multidisciplinar. Embora esta seja uma verdade reconhecida, na prática nem sempre é assim que acontece. O trabalho em conjunto é bastante proveitoso, permitindo aos profissionais a troca de conhecimentos nas diversas especialidades.

Considera-se que todo trabalho escolar e com especialistas deve ser muito responsável e profissional, não envolvendo excessos de mimo e dependência, mas exigindo com firmeza tudo o que o aluno é capaz de realizar, sobretudo apontar seus limites respeitando-o e estimulando-o nos seus avanços. Sabe-se que o caminho se faz ao caminhar e que para o sucesso não há receitas e sim a segurança, o amor e a dedicação com todos os envolvidos no aprendizado do disléxico.


4 REFERÊNCIAS

CAROLL, Jonh. B. Psicologia da Linguagem, Rio de Janeiro: Zahar, 1969.

DUBOIS, Jean. Dicionário de lingüística. SP: Cultrix, 1993.

FILHO, Tavares; THOMÈ, Elizario. Distúrbio da aprendizagem/ Programa de Educação Especial. Universidade Federal do Fluminense, 2000.

JARDINI, Renata Savastano R. Método das boquinhas: alfabetização e reabilitação dos distúrbios da leitura e escrita: fundamentação teórica, livro1.São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

MARTINS, Vicente. Lingüística Aplicada às dificuldades de aprendizagem relacionadas com a linguagem: dislexia, disgrafia e disortografia. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 2002.

PAIN, Sara. Diagnóstico e Tratamento dos problemas de aprendizagem. Nova Visão, 1978.

ROBIN, Gilbert. A Criança e Nós. Tradução de Helena Bessemann Viana, Transtorno da Elaboraçao Intelectual. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura, 1959.

SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia e realidade escolar: o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

SHAYWITZ, Sally. Entendendo a Dislexia. Um novo e Completo Programa Para Todos os Níveis de Problemas de Leitura. Artemed, 2008.

A CRIANÇA PORTADORA DE TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE EM SEU CONTEXTO FAMILIAR E ESCOLAR

Rose Mary Grebe
Everaldo da Silva

Resumo

Este artigo, desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica e experiência pessoal de muitos anos de magistério, aborda o tema Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Procura descrever o portador em seus contextos: familiar, escolar e social. Mostra as dificuldades enfrentadas e o quanto pode influenciar no seu desenvolvimento emocional e cognitivo. Traz a informação de como se comporta o portador, cuja principal característica é a desatenção, que acontece em qualquer contexto onde esteja situado. Contempla algumas formas de como proceder com ele. Enfatiza a necessidade do diagnóstico sério, de seguir as prescrições sugeridas por uma equipe multidisciplinar. Também mostra os efeitos da medicação na vida do portador e das pessoas que com ele convivem. Salienta, pelo desconhecimento que ainda existe sobre este trantorno, a necessidade de se massificar as informações, dando a todos a oportunidade do conhecimento sobre algo que não está tão distante de nós e que acontece em número bastante elevado..

Palavras-chave: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Família. Inclusão. Apoio Multidisciplinar.

1 INTRODUÇÃO

Atualmente um grande número de crianças apresenta dificuldades de aprendizagem tanto em sua vida familiar quanto escolar. Em número bastante elevado têm como diagnóstico o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), cujas características sinalizadoras são: a inquietação, dificuldade em manter a atenção e impulsividade, sintomas que costumam aparecer na primeira infância. Os dados mais recentes dizem que 7 a 10% da população mundial é acometida pelo transtorno.

Estas crianças passam por inúmeras situações embaraçosas, bem como suas famílias, pelo baixo rendimento escolar e comportamento inadequado que apresentam, sendo, desta forma, muitas vezes, discriminadas. Elas vão encontrar barreiras no ambiente familiar, escolar e nos meios sociais aonde possam estar inseridas.

Um grande desconhecimento envolve este transtorno, dificultando um diagnóstico precoce e, em muitos casos, privando o portador de um tratamento adequado. Os mitos criados, por pessoas que nada sabem sobre o transtorno, são mais um agravante, prejudicando sensivelmente o portador.

Com tantas barreiras na vida de um portador de TDAH, sua inclusão familiar, escolar e social dificilmente acontecerá. Este ser, quase sempre é o “diferente”, que não tem sossego e que incomoda a todos.

Os progressos científicos surgem e com eles as medicações, trabalhos multidisciplinares e terapias alternativas dando melhor qualidade de vida aos portadores e suas famílias.

Este trabalho pretende mostrar características, como vivem e possibilidades de minimizar os reflexos deste transtorno no contexto familiar, escolar e nos demais momentos sociais da criança. Também pretende analisar os efeitos do atendimento especializado e da medicação nestes portadores. Para este intento usar-se-á a nossa experiência pessoal como professor e a pesquisa bibliográfica.

2 O QUE É TDAH?

Muito se fala sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, principalmente nos meios escolares, onde as crianças mostram características marcantes e vivem no dia-a-dia as suas dificuldades. Dados recentes apontam que de 7 a 10% da população mundial é portadora deste transtorno. (BROWN, 2007) Mas a dimensão e sua real gravidade ainda são desconhecidas por muitos, que acabam encarando o fato como algo quase normal a algumas crianças mais agitadas e que passará quando crescer. Outros apontam estas crianças como mal educadas ou sem limites. Não entendem que o TDAH não afeta apenas o seu portador, mas suas relações: família, cônjuge, filhos e ambiente de trabalho.
O Psiquiatra Heirich Hoffmann já em 1845 descreveu toda esta sintomatologia que desde então vem passando por uma seqüência de nomes para configurá-la: Inibição de volição, Lesão cerebral mínima, Disfunção cerebral mínima, Reação hipercinética da infância e Distúrbio do déficit de atenção.
Thomas E. Browm, (2007, p.16) a partir de seus estudos nos informa que:

Em 1980, a Associação Americana de Psiquiatria usou pela primeira vez o termo “Distúrbio do Déficit de Atenção” como um diagnóstico oficial. Na época, a associação reconheceu as dificuldades crônicas com a atenção, com ou sem problemas hiperativos de comportamento, como sendo um distúrbio psiquiátrico. Na versão de 1980 do manual diagnóstico nota-se também que, apesar desse distúrbio normalmente se originar na infância, as dificuldades com a atenção, muitas vezes, persistiam até a idade adulta. Uma revisão do manual, em 1987, provocou uma mudança no nome dessa condição para Transtorno do Déficit de Atenção/ Hiperatividade; desde então o nome oficial continua agregando a desatenção aos problemas de comportamentos hiperativos [...]

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é neurobiológico, crônico, multifatorial, de causas genéticas, sendo transmitido de uma geração para a outra. Aparece na primeira infância, mas o diagnóstico preciso só se faz por volta dos sete anos. Sendo crônico, frequentemente acompanha o indivíduo por toda a vida. Os comprometimentos genéticos vão provocar alterações nos neurotransmissores, que por sua vez determinarão o mau funcionamento de certas áreas do cérebro, responsáveis pelos sintomas do TDAH.

Com o advento de tecnologias que permitiram um melhor reconhecimento dos genes e suas mais específicas funções no organismo, foi possível a identificação dos primeiros genes candidatos para o TDAH, são eles DATI, DRD4, DRD5.
Esses genes determinarão, em ultima análise, o funcionamento da dopamina, um dos neurotransmissores envolvidos no TDAH. [...] neurotransmissores são substancias químicas responsáveis pela comunicação entre as células nervosas, permitindo a passagem do estímulo elétrico que efetuará as mais variadas funções cerebrais [...] (ARRUDA, 2006, p.32-33)


Portanto, TDAH não se desenvolve por motivos ambientais: falta de educação, desajustes familiares. Não é um defeito de caráter. Mas deve ser entendido como uma condição médica que provoca prejuízo no desempenho global da pessoa. Suas principais características são: a desatenção, inquietude e impulsividade. Isto faz com que o portador, em algumas situações, fique alheio, pareça não escutar bem, não entender comandos dados, esqueça o que tem a fazer, se desligue no momento de executar uma tarefa. Os cadernos costumam apresentar muitas lacunas e folhas em branco. É bastante comum, também, o aluno escrever a data e desfocar a atenção do que está sendo colocado para copiar; quando retoma, aquele conteúdo já foi apagado. A seqüência para atividades rotineiras fica comprometida.

Uma criança portadora de TDAH, normalmente apresentará algumas características bem marcantes: andar cedo, dormir pouco, falar muito, interromper conversas, repetir, não ficar quieto, acidentar-se muito, brincar de muitas coisas ao mesmo tempo, ter o sono agitado, não parar sentado na carteira, desobedecer, ser agressivo, desfocar a atenção constantemente, perder materiais, comer lápis, borracha, entre outras coisas.

A impulsividade, outra característica marcante no transtorno, em muitos momentos torna o seu portador impopular, pois dificilmente cumpre regras, por não as ter assimilado corretamente ou por não conseguir mantê-las. Pela sua impulsividade, responde a pergunta antes que tenha sido feita, interrompe o interlocutor a todo o momento, age e fala por impulso, para depois pensar no que fez, é agressivo, impaciente, irritado e explosivo.
Como algumas destas características costumam fazer parte da infância, muitos imaginam que um dia passará. O que acontece ao portador de TDAH é um pouco mais severo do que simples agitação infantil e falta de limites como apregoam outros. Pela sua natureza orgânica, a criança não consegue controlar os sintomas e estes ocorrem em qualquer contexto, dificultando a aprendizagem e o convívio social em muitas situações.

Sena e Diniz Neto (2005) definem atenção como a capacidade mental do ser manter o foco em determinado estímulo ambiental, sem interferência dos outros estímulos, desta forma organizando suas ações de acordo com o foco a que se propõe. Para o portador de TDAH isto não acontece, ele foca sua atenção em vários estímulos ao mesmo tempo, geralmente deixando de lado aquele que interessa ao professor ou aos pais. Algumas destas crianças sabem tudo o que acontece ao seu redor, menos o que a professora falou. Outras vezes deixam os professores exasperados, que tentam, em vão, fazê-las prestar atenção, chamando-as constantemente.

Outra dificuldade que tem o portador da síndrome é a de iniciar algum trabalho ou atividade de que não goste, mesmo sabendo da sua importância e tendo a vontade de fazer. Deixa para outro momento e vai fazendo outras coisas, até que, sob pressão, inicie. Alguns portadores comentam estar cientes das tarefas que precisam desenvolver, mas não encontram a motivação necessária. Isto acontece nas situações mais rotineiras como: tarefas escolares, guardar as roupas no armário, fazer uma sequência de atividades matinais. “Indivíduos com TDAH descrevem a si mesmos, muitas vezes, como pessoas que estão desejando desesperadamente desempenhar várias tarefas, para as quais são incapazes de ativar a manter as necessárias funções executivas.”(BROWN, 2007.p.25) Mas isto ainda é de difícil compreensão para as pessoas, principalmente por aquelas, não acometidas pelo transtorno, que conseguem organizar-se, iniciar no devido momento e concluir uma tarefa, sendo ela importante ou não.

3 A CRIANÇA COM TDAH E O PROCESSO ESCOLAR

A criança portadora do transtorno sofre por não conseguir aprender no mesmo ritmo de seus coleguinhas. Não entende porque isto acontece. Muitas vezes é calada, parece estar atenta, é tida como quietinha e bem comportada, mas seu foco de atenção está em muitos pontos e lugares.

O TDAH, frequentemente se manifesta muito cedo na vida do portador, mas apenas mais tarde, com início da vida escolar, é que os sintomas revelam-se de forma mais perceptível, usualmente destacando o portador do padrão de desenvolvimento esperado para a sua idade. (SENA; DINIZ Neto,2005,p.32)

O TDAH tem uma sintomatologia que pode ocorrer de três formas: com predominância da desatenção, com predominância da hiperatividade e com a combinação dos dois sintomas. Então o fato da criança ser quieta, estar olhando para o quadro ou professor, não significa que não seja portadora do transtorno, ou que esteja atenta. Pelo fato de não estar com o foco da atenção ao que o professor gostaria, o portador perde a explicação e o comando que é dado a partir desta. Acaba se distraindo com outras coisas como: o lápis que caiu, a pessoa que está passando no corredor da escola, um carro que buzinou, uma borboleta que viu lá fora. Quando o professor percebe, chama a atenção. Por um tempo muito curto o aluno retoma, mas ele já perdeu uma parte do que estava sendo visto ou feito, ficando muito difícil formar o elo com o que foi perdido. Isto gera, com o tempo, um clima ruim no ambiente escolar, que vive o círculo vicioso do aluno que parece que não liga e o professor que chama a atenção e não é atendido. Quando se trata de uma leitura, muito mais complicado se faz o processo para o portador de TDAH. Os olhos podem passar pelas palavras, decodificá-las, mas o sentido não é assimilado. O aluno, geralmente, lê muitas vezes, mas a compreensão não acontece.

“A compreensão do significado das sentenças e dos parágrafos é um processo ativo que requer um engajamento ativo e sustentado da atenção focada do leitor.” (BROWN, 2007. p. 36)

Uma criança que não consegue manter o foco de atenção nas atividades escolares, provavelmente, será um mau aluno, desestimulado, com baixa auto-estima. Estará sempre tentando responder e corresponder às cobranças de professores em sala de aula e dos pais, no momento de suas tarefas. Rotineiramente deixa de fazer muitas das atividades que estão acontecendo na escola. Quando chega em casa, mais um problema sério, como ensinar a esta criança se nem ao menos copiou a tarefa inteira; muitas vezes apenas escreveu a data? Isto vai acontecendo e deixando a família cada vez mais nervosa. A escola normalmente alerta para estas dificuldades da criança, mas como ainda se pensa que é temporária esta situação, deixa-se o tempo passar. Thomas E. Brown nos fala de casos que não foram dados a devida atenção:

Atualmente, um número cada vez maior de adolescentes e de adultos reconhece sofrer de TDAH. Reportagens na mídia ou comentários de amigos e membros da família fazem com que percebam o sofrimento de muitos anos com a síndrome, não identificada por seus pais, por professores ou por si mesmos. Muitos deles lutam muito durante os anos escolares, frustrados com a incapacidade de ter um desempenho, com alguma consistência, de acordo com seus níveis de habilidades. Outros foram bem-sucedidos , talvez nos primeiros anos dos estudos, perdendo mais tarde o “fio da meada” no ensino médio e na faculdade. (2007,p. 122-123)

Provavelmente na escola é que as dificuldades do transtorno se tornarão mais visíveis devido as exigências do processo de aprendizagem, deixando a criança em um estado de fragilidade emocional à medida que as pressões aumentam, mais uma vez fazendo com que pareçam preguiçosas, sem educação ou com falta de limites.

“Pesquisas indicam que os portadores de TDAH reagem em situações de estresse com uma maior perda das capacidades cognitivas e de autocontrole que os não portadores”. (SENA; DINIZ Neto, 2005, p.60, grifo nosso)

A hiperatividade outra das características marcantes de alguns portadores de TDAH, também é bastante percebida quando a criança vai para a escola, embora a maioria dos pais já relatem os “levados da breca”, “criança com bicho carpinteiro”, “ligado nos 220”, e que seus filhos falam demais, não sossegam um minuto, não param para comer, não conseguem assistir um programa de TV, sendo, na maioria das vezes, aqueles que estão sempre de joelho ralado, ou com algum machucado.

Marco A. Arruda (2006, p.53) comenta sobre esta fase da criança dizendo que:

São movimentos corporais incessantes, sem função definida e que vão persistir até a vida adulta em grau variável. Assim, a criança movimenta o quadril e as espáduas, quase cai da carteira, bate os lápis ou os dedos na mesa, o caderno cai, até, finalmente tirar a atenção dos colegas ou esgotar a paciência dos professores..
Na verdade, supomos que esta manifestação seja decorrente do funcionamento deficitário de circuitos do sistema nervoso envolvidos na inibição da movimentação involuntária.
[...]
A movimentação corporal excessiva, quando se alia à desatenção, vai prejudicar mais ainda o desempenho escolar.

Os métodos tradicionais de ensino exigem muita atenção e concentração do educando e o portador de TDAH, normalmente está abaixo desta média; acaba, então, demonstrando cansaço, irritação, desmotivação, confrontos com o professor e recusa-se a fazer as atividades propostas. É quando este educando começa a inventar motivos para não ir à escola como: dores de cabeça, dores de barriga, medos, evitando expor-se a uma situação desagradável.

Educar um portador de TDAH é uma tarefa difícil. Vai exigir dos envolvidos muita paciência, dedicação, afeto e treinamento. Neste processo, além do conhecimento, uma grande dose de tolerância, e um incansável “estabelecer regras e limites” são necessários. Sabe-se que isto não é fácil ao educador. Por isso, é importante que jamais se constranja diante dos seus limites e frustrações e busque o auxílio necessário. Para tanto uma ajuda multidisciplinar pode e deve ser envolvida: professor, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, neuropediatra, pais, irmãos, tios, avós, empregada, conforme as necessidades do educando.

O portador de TDAH para sua aprendizagem necessita de alguns cuidados como: ambiente calmo, materiais didáticos variados em termos de cores e tamanhos para ser manuseado, mínimo de estímulos que possam desviar a sua atenção, conversa olhando nos olhos para se estabelecer um vínculo de confiança, repetição das regras de forma clara sem tom de cobrança, os fracassos não devem merecer destaque. Também, na medida do possível, evitar-se as pressões com relação ao tempo, pois o portador tem um grande dificuldade neste aspecto: organização e tempo..

4 A CRIANÇA COM TDAH E A FAMÍLIA

A família, normalmente, é resistente ao diagnóstico de TDAH. Percebe-se um desconhecimento muito grande sobre o assunto. Os pais insistem que quando o filho quer, ele presta atenção. Contam que o filho é capaz de ficar horas fazendo determinada atividade, esquecendo-se do resto e parecendo nem ouvir quando é chamado. Nestes momentos os pais falam do videogame. Normalmente não se dão conta dos atrativos como a ludicidade, o visual, o caráter competitivo dos jogos com recompensas imediatas, situação que não é vivida na escola, ainda bastante formal. Outros dizem que também eram assim. E a criança cresce em um ambiente onde não é entendida, sofrendo, por vezes, castigos, sendo tratada como malandra, teimosa, aquela que “não quer nada com o estudo”, provocando, inclusive grandes discussões familiares. A família não entende este comportamento, não sabe lidar com a situação. “As interações entre pais e filhos ou entre cônjuges em uma família com um portador de TDAH mostram-se muito mais estressantes e negativas para todos os membros da família, do que interações típicas em famílias sem TDAH.” (SENA; DINIZ Neto,2005,p.53) Daí a necessidade do esclarecimento após o diagnóstico, que deve ser feito por pessoas habilitadas, a fim de não deixar a família mais confusa ainda com esta situação que não é passageira, mas que poderá, em muito, ser minimizada, com o tratamento adequado.

A este respeito ARRUDA (p. 97) esclarece:

A educação dos pais e do portador é um dos mais importantes princípios do tratamento do TDAH.
Os pais devem receber informações detalhadas sobre o transtorno, suas causas, mecanismos, sintomas, impacto, diagnóstico e tratamento.
A criança e o adolescente portador de TDAH também deverão receber tais informações proporcionalmente ao seu grau de interesse e entendimento; conhecendo o problema poderão ter participação ativa e determinante no processo de tratamento.


Feito o diagnóstico e prescrição de tratamento, a família precisa estabelecer algumas normas para lidar com a situação, ajudando assim, na melhora de toda a dinâmica familiar. A busca do conhecimento, através de livros, matérias apresentadas nas revistas, internet, é de grande ajuda aos familiares. Baseado em (SENA; DINIZ Neto,2005,p.139-140) sugere-se:
• Fale perto e em voz firme, porém afetuosamente e usando o verbo na forma imperativa.
• Evite o excesso de ordens.
• Dê regras e ordens de forma simples e objetiva, uma a uma.
• Evite longas explicações na hora de dar uma ordem, o portador só lembrará as coisas importantes.
• Deixe claro o que espera do portador, ordens vagas não serão assimiladas.
• Dê as ordens num tempo médio de antecedência, um tempo longo faz com que sejam esquecidas.
• Peça ao portador que repita a ordem dada para saber se o mesmo entendeu.
• Não dê ordens em forma de pergunta, pois fica o espaço para que negue ou se confunda.
• Não permita que uma ordem seja descumprida, a despeito de seu cansaço.
• Procure permanecer equilibrado enquanto o portador estiver “destemperado”. Não tente conversar ou impor alguma ordem. Dê alguns minutos para que se recomponha. Depois faça cumprir o que foi solicitado.
• Em público, numa situação de extrema oposição, procure levar o portador a um local mais isolado, sem ameaçá-lo. Mostre as conseqüências dos seus atos e faça com que se responsabilize por eles.

Em quase todas as situações da vida, mas principalmente no caso de TDAH, o elogio e recompensa serão as condutas mais adequadas.

“Todo mundo gosta de um elogio e de um gesto de carinho. Premiar é sempre melhor que castigar. Algumas sugestões de prêmio são: um sorriso, um beijo, um tapinha nas costas, um lanche gostoso, alugar um DVD ou um jogo de videogame, etc.” (SENA; DINIZ Neto,2005, p.41)

Mas, naqueles momentos em que a punição é necessária, entendendo que punição não é tortura, o mais sensato é a retirada de privilégios e a expressão de desaprovação. È preciso que se tome muito cuidado para que não sejam punições onde toda a família sofra junto. Ou tão longa que se acabe retirando por não se conseguir o cumprimento. Fala-se bastante em “contrato”: acordo feito previamente entre a família e o portador. Regras são estabelecidas, com as devidas punições para o não cumprimento. Isto facilita, pois o educando se policiará mais e no caso de punição, está não será surpresa. Os pais devem expressar desaprovação quando rompidas as regras ou limites, porém, jamais manifestarem desprezo, desacato ou vergonha dos filhos. Isto provocará quase sempre um estrago maior.

5 CRIANÇA COM TDAH EM SOCIEDADE

Nossa sociedade ainda está muito despreparada para lidar com este transtorno. O desconhecimento sobre ele leva a pensar como algo corriqueiro, próprio da infância. Este é o relato de muitos pais quando procuram um serviço psicopedagógico. Um número bastante reduzido já ouviu falar sobre o assunto. As pessoas resistem bastante quando se fala em Neuropediatra, Psicopedagogo, que é confundido com Psicólogo, Fonoaudiólogo e o próprio Psicólogo. Mas são estes profissionais que deverão estar envolvidos, nem sempre todos, cada caso difere do outro, quando se deseja detectar o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, e depois prescrever o devido tratamento.

Sabe-se que é de fundamental importância a parceria da escola com os profissionais que estarão envolvidos com a criança após o diagnóstico de TDAH. Eles, em atendimento diferenciado, farão o resgate de muitos aspectos que a criança não conseguiu vencer. Para o diagnóstico e prescrição da medicação há a necessidade do neuropediatra ou psiquiatra, ( ou médico capacitado a diagnosticar) com quem a criança fará acompanhamento, verificando a dosagem e a medicação mais adequada a cada caso. O psicopedagogo detectará defasagens de conteúdo, avaliará as áreas de dificuldades de aprendizagem ou erros na metodologia de estudo. Fará então seus atendimentos buscando o resgate de conceitos não assimilados no passado, correção de deficiências, explorando potencialidades. Cabe também ao psicopedagogo usar de estratégias que favoreçam a organização, motivação para o estudo e a atenção. Em casos de distúrbio da linguagem, está indicada a avaliação com o fonoaudiólogo, que observará a linguagem oral, escrita e leitura. E na detecção de anormalidades importantes, a fonoterapia deverá ser instituída. Dentre as psicoterapias há um consenso de que a cognitivo-comportamental (TCC) é a que apresenta mais evidências científicas favoráveis no TDAH. Sua duração é breve, 14 a 24 sessões, o que favorece a adesão ao tratamento.

O processo terapêutico na TCC é objetivo, didático e orientado à resolução de problemas e reestruturação cognitiva.
Através dele o terapeuta ensina o paciente a identificar, avaliar e modificar seus pensamentos e crenças, consequentemente, seus comportamentos inadequados. (ARRUDA, 2006, p.106)

Estudos mostram que o TDAH ocorre sem distinção de raça ou classe social, mas existem alguns fatores relacionados à mãe podem ser desencadeadores como: má saúde da gestante pelo uso de drogas, álcool, desnutrição intra-uterina, más condições de nascimento, entre outros. È neste contexto que, infelizmente as classes menos favorecidas socialmente estarão em desvantagem, pelo pouco acesso ao diagnóstico e tratamento.

As repercussões do TDAH não acontecem apenas nos limites do lar e da escola. Marcos Arruda (2006, p. 77 e 78) em seus estudos conclui que “o TDAH interfere no seu desenvolvimento psíquico, cognitivo e social, o expõe a acidentes a comportamentos sexuais de risco, ao abuso e dependência de substâncias e a outros fatores que determinarão ao longo da vida menores oportunidades de realização e cidadania”.

Os reflexos, quando não existe o diagnóstico e tratamento, podem acontecer em momentos bastante significativos como nos relacionamentos, quase sempre inconstantes, nos destemores às situações de perigo, na profissão, já dificultada pelo seu baixo rendimento escolar, agravada pelas muitas mudanças de emprego; pela impulsividade, alguns tem atitudes compulsivas em relação à compras, comida, jogos, para citar alguns.

5.1 MITOS E CRENÇAS

O desconhecimento acerca deste transtorno faz com que se criem muitos mitos que vão se propagando, a despeito das comprovações científicas. Dentre muitos poderíamos citar: o TDAH é a ausência de força de vontade, quando interessa são capazes de prestar atenção; o TDAH é simples problema de hiperatividade ou de não ouvir quando alguém está falando; TDAH é um simples rótulo para problemas de comportamento ou falta de limites; crianças com TDAH superam rapidamente à medida que entram na adolescência; os medicamentos para TDAH causam dependência, especialmente quando usados por crianças.

Na última década, milhares de crianças e adultos foram diagnosticados e tratados pelo transtorno do déficit de atenção (TDA) [...] Grupos de apoio aos indivíduos e familiares afetados por TDAH estão surgindo não somente nos Estados Unidos e Canadá, mas também no Reino Unido, na Alemanha, na Austrália, no México, na Noruega, na Espanha, no Japão e em muitas outras culturas ao redor do mundo.
Apesar desse movimento global e de uma enorme quantidade de evidência científica fundamentando a validade o diagnóstico do TDA/TDAH e da segurança e eficiência dos tratamentos disponíveis, um enorme segmento da mídia e muitos indivíduos ainda permanecem céticos; eles consideram o TDA como um problema trivial que é, muitas vezes, diagnosticado e tratado de forma exagerada. (BROWN, 2007. p.11)

Os mitos e crenças que se observa, mais adiam e comprometem um diagnóstico que poderia, em muito, minimizar situações de verdadeira infelicidade, principalmente aos portadores e suas famílias. Entravam, pelo próprio desconhecimento, um conhecimento, que é cientifico

6 MEDICAÇÃO E ATENDIMENTOS ESPECÍFICOS AJUDAM?

Atualmente as pesquisas demonstram que o tratamento mais eficaz é multimodal: uso de medicação, atendimento por equipe multidisciplinar, que poderá dar suporte ao portador e a sua família. Sabe-se que a criança TDAH, normalmente, não tem dificuldades intelectuais, mas sua agitação e falta do foco de atenção, interferem no desenvolvimento normal da aprendizagem, acontecendo desta forma um baixo rendimento e um desestímulo à escola. Muitas evasões acontecem por conta do transtorno. Muito poucos são diagnosticados precocemente. O diagnóstico de TDAH acaba acontecendo quando a família não sabe mais o que fazer com este filho, tão diferente do irmão, quando o aluno já passou por inúmeras frustrações, desencantos com a escola, com amigos e com a vida.
Mesmo assim, quando acontece o diagnóstico com prescrição de medicamento, mais uma batalha acontece. Alguns pais não aceitam a medicação. Argumentam que é remédio de “taja preta”, que causará dependência. A respeito dos estudos e comprovações dos efeitos da medicação para o portador de TDAH, Bronw (2007, p.) sustenta que a medicação cuidadosamente monitorada ainda é mais eficaz do que quaisquer outras terapias comportamentais sem medicação.
Ainda não existe a cura para o TDAH, mas os tratamentos medicamentosos têm mostrado eficiência no alivio aos sintomas em 80 a 90% das crianças, adolescentes e adultos, com raríssimos casos de intolerância aos mesmos. E “Para alguns mais afortunados que sofrem com a síndrome do TDAH, a medicação bem-administrada alivia suas dificuldades de tal forma que nenhum tratamento adicional é necessário.” (BROWN, 2007. p. 166)
Tem-se a experiência de observação do aluno antes e depois da medicação. É impressionante o comportamento da criança medicada. Na maioria dos casos nem parece aquela criança tão dispersa, agitada, em alguns casos, com atitudes inadequadas: resistentes, mal humoradas. Ainda se tem o relato de muitas professoras que comparam o aluno dizendo que existe o “antes” e o “depois”, referindo-se às melhoras dos alunos quando medicados.

Em um de seus artigos o psiquiatra Paulo Issa, via internet, defende a medicação dizendo que “ quando dizem a lenda ou boato que tratar o TDAH, com remédios “tarja preta” é perigoso(!?!); na verdade o perigoso é não tratar!

Atualmente os psicoestimulantes são os medicamentos mais prescritos e estudados em todo o mundo, sendo o metilfenidato o de primeira escolha. Os autores estudados no presente trabalho têm uma unanimidade de opinião, bem como outros artigos também consultados.

Marcos Arruda (2006, p. 100) nos informa :

Esta medicação vai atuar no sistema nervoso, especialmente no córtex pré-frontal, proporcionando uma maior oferta de dopamina, cuja eficiência, como vimos, é responsável pelos sintomas do TDAH.
[...]
O metilfenidato é o psicoestimulante mais prescrito nos EUA, um país com rigoroso controle de medicamentos e indenizações médicas milionárias, o que denota a segurança que o specialista tem na sua prescrição.
[...]
Em vinte anos de experiência clínica, nunca evidenciei um só caso de dependência a esta medicação.
[...]
Oportunamente, é bom destacar que os estudos comprovam que o tratamneto do TDAH com metilfenidato diminui significativamente o risco de uso, abuso e dependência de drogas.
Os efeitos positivos do metilfenidadto sobre a hiperatividade, a impulsividade e o déficit de atenção se manifestam já nos primeiros dias de uso da medicação.
Os professores, eventualmente não sabendo que a criança está em uso da medicação, muitas vezes procuram os pais surpresos, para saber qual o motivo da melhora do comportamento e desempenho cognitivo da criança.

Nesta medicação podem ocorrer alguns efeitos indesejáveis como perda do apetite, dores de cabeça, no abdômen e insônia. Outros efeitos atribuídos à medicação já foram comprovados que não acontecem. Os estudos mostram que, inclusive, pode ser usado por epilépticos com crises controladas pelos medicamentos anticonvulsivos. Sua contra-indicação é para os casos de crianças e adolescentes com problemas cardíacos e de fígado.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As leituras, observações, vivências profissionais apresentadas neste trabalho tiveram a intenção de chamar a atenção para o “Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade”, algo ainda bastante desconhecido em nossa sociedade. Buscou-se mostrar que é um distúrbio sério, existente em uma parcela significativa das crianças, pouco diagnosticado ainda. Também se procurou fazer um esclarecimento de como proceder diante do alerta da escola ante um possível diagnóstico de TDAH. Falou-se, através de renomados profissionais, sobre a medicação, até agora o recurso mais apropriado, seguido da parceria com outros profissionais, minimizando este transtorno e dando uma melhor qualidade de vida ao portador e sua família.
Este transtorno ainda é cercado de muitos mitos, pelo próprio desconhecimento das pessoas, que opinam sem ter o menor conhecimento do assunto. Por isso a necessidade, principalmente nos meios de comunicação de maior alcance, de começar a mostrar o que é e as implicações do TDAH.
Entende-se que a melhor forma de desmistificar acontece pelo conhecimento, que deve ser baseado em muitas pesquisas e na ciência. Os avanços científicos em torno deste assunto são grandes, a bibliografia é vasta, a internet oferece muitas possibilidades, mas, infelizmente os conhecimentos não estão disseminados entre a população de um modo geral.
Muito ainda se teria a dizer sobre o TDAH, sobre as co-morbidades que podem vir agregadas, mas pensa-se que o mais importante é o alerta, diagnóstico por pessoas competentes e seguir aquilo que foi prescrito ao portador. O transtorno é crônico, portanto não adianta esperar que com o tempo passe. O que se precisa é tomar as atitudes necessárias. Isto não é feito por uma só pessoa, mas pela família, escola e os profissionais envolvidos no atendimento. Acredita-se que com está tríplice parceria: família, escola e equipe multidisciplinar, um grande avanço se estará dando no sentido de minimizar os comprometimentos deste transtorno.

8 REFERÊNCIAS


ARRUDA, Marco Antônio. Levados da Breca. Ribeirão Preto, SP: São Francisco Grupo Gráfico, 2006.

BROWN, Thomas E. Transtorno de Déficit de Atenção: a mente desfocada em crianças e adultos. Tradução: Hélio Magri Filho. RS: Porto Alegre: Artmed, 2007.

ISSA. Paulo André. Drogas e TDAH. Disponível em: www.pauloandreissa.com.br. Acesso em 26 jul. 2009.

MATTOS, Paulo. No Mundo da Lua: Perguntas e Respostas sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade em Crianças, Adolescentes e Adultos. São Paulo: SP, Lemos Editorial, 2001

SENA, S. S. ; DINIZ Neto, O. Distraído e a 1000 por hora: perguntas e respostas sobre o9 Transtorno de déficit de Atenção. Belo Horizonte: Anone Livros, 2005.

O DESAFIO DOS EDUCADORES FRENTE ÀS MUDANÇAS NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR

Leila Vilma da Silva Bambino
Antonio Carlos Bambino

Resumo

Este artigo visa discutir sobre o maior desafio dos educadores brasileiros nos dias de hoje, que é o de promover a transformação do seu aluno, bem como mediar de maneira objetiva a relação existente entre o ensino e a aprendizagem. Para isto, é necessária uma dose extra de coragem e perseverança, pois muitos são os fatores que dificultam a arte de ensinar. Baixos salários, salas de aula, em sua maioria com mais alunos que o ideal, dificultando para o professor um atendimento mais individualizado, o crescente aumento da violência, que tem deixado os educadores apreensivos e assustados, as responsabilidades delegadas a escola e o verdadeiro papel das famílias de hoje, bem como o surgimento das novas tecnologias de informação e comunicação, que vem causando uma verdadeira revolução no ambiente escolar.

Palavras-chave: Educação, Ensino. Família, Violência Escolar. Políticas Públicas.

1 INTRODUÇÃO

Faz-se necessário discutir um dos maiores desafios do ensino no Brasil que é o de torná-lo atraente e rico de significações, onde os alunos façam relação entre o conhecimento e seu dia-a-dia e possam transformá-lo. Várias mudanças devem se repensadas, como o ambiente de professores e alunos, incentivar as famílias a interagirem com o processo de ensino e aprendizagem.

Buscar respostas para inúmeras questões que desafiam o dia-a-dia dos profissionais da educação é uma constante nas rodas de conversas, pois a cada dia ocorrem novas dificuldades.

Os países mais avançados são aqueles que investem na Educação. Hoje, o conhecimento é a maior riqueza que uma sociedade pode ter. Na América Latina o Brasil é o país cuja população adulta tem menos anos de estudo, com cinco anos em média, estando atrás de países como Chile, Colômbia, Argentina e México. A comparação com países europeus e asiáticos é ainda mais cruel.

Riqueza e educação estão umbilicalmente ligadas. No Brasil, ainda se está engatinhando para tornar-se verdadeiramente um país desenvolvido, apesar de todos os esforços e avanços já conquistados ao longo dos anos. Os problemas existentes na Educação Brasileira são vários e peculiares a nossa cultura.

Discutirá a respeito da verdadeira função da escola, que atualmente não é mais vista como a única detentora do saber, em função de uma globalização, da qual não se pode ignorar. As transformações pedagógicas e os novos recursos tecnológicos se defrontam com as estruturas de uma escola do século XVI e XVII. A escola de hoje está em transformação e seu futuro ainda está em aberto.

2 A FUNÇÃO DA ESCOLA

A escola não é a única detentora do saber, as pessoas aprendem independentemente dela. A escola cabe a missão de lapidar as informações, fazendo com que os alunos reflitam sobre este conhecimento com ética e responsabilidade. Mas, infelizmente não é o que ocorre, segundo Moysés (2000, p.31):

[...] grande parte do conhecimento veiculado em sala de aula não se afasta dos pseudoconceitos ou da simples memorização. Isso pode ser facilmente constatado quando examinamos os livros didáticos utilizados ou os chamados “cadernos dos professores”. Muito do que se dá e se cobra do aluno fica somente no nível do “estímulo-resposta”.

A escola de hoje deve, acima de tudo, formar e não apenas instruir. Esta nova tarefa de ensinar faz com que o papel do professor também mude, uma vez que conduzir estes processos de aprendizagem cria a necessidade de novos processos de formação continuada, que permitam aos professores incorporar novos saberes, estando constantemente atualizados.

Para que os alunos se apropriem do saber e criem competências cognitivas, faz-se necessário estudo. Por sua vez, para que este estudo aconteça, é preciso que se criem situações de aprendizagem significativas e atraentes, que produzam prazer e que induzam os alunos a quererem ir à escola.

Para educar, deve existir uma preocupação de levar os alunos a compreenderem o sentido dos conteúdos trabalhados e quais são as relações existentes entre os mesmo com a sua vida, seu dia-a-dia e com a sociedade da qual faz parte. Estabelecer sempre uma relação entre o saber que o aluno já possui e o saber escolar.

Segundo Charlot (2005, p.55) “[...] uma aula interessante é aquela em que ocorre o encontro do desejo com o saber”. Sendo assim, todos os envolvidos no processo educativo devem ter claro que aprender algo é adquirir conhecimentos que possam ser transformados e adaptados a realidade de cada pessoa. Estes conhecimentos necessitam ser compreendidos, para que possam ser questionados.

O professor não é mais aquele que apenas transmite o conhecimento. Hoje o professor é acima de tudo mediador do conhecimento, podendo utilizar da sua situação privilegiada em sala de aula, auxiliando seus alunos a fazerem escolhas, despertando a curiosidade e a vontade de aprender sempre mais. Um profissional que domine os conteúdos, bem como a metodologia de fazer chegar aos alunos o saber direcionado para a vida, ensinando a ser um cidadão, com responsabilidades, direitos e deveres.

3 O PAPEL DA FAMILIA

O papel da família, assim como suas responsabilidades frente à educação de seus filhos, deve ser vista como uma necessidade permanente. Os pais, em função de uma necessidade socioeconômica, precisam sair para trabalhar, visando proporcionar aos filhos um mínimo de conforto.

[...] certos alunos sofrem de “deficiências socioculturais”, de carências, que são relacionadas as suas condições de vida familiares e sociais. São vítimas do baixo nível cultural de seus pais, das más condições de trabalho em casa, da violência do bairro, das drogas, da televisão, enfim, de tudo o que contraria os esforços dos professores. (CHARLOT, 2005, p. 81).

Os filhos, não tendo com quem ficar, acabam assumindo precocemente certas responsabilidades, como fazer as tarefas, estudar para as avaliações e, muitas vezes, cuidar dos irmãos mais novos quando for o caso. Sem um adulto para cobrar as responsabilidades essenciais, os alunos vem para escola sem muitas vezes trazer o básico, como material escolar completo e tarefas feitas e assinadas por um responsável.

Este acompanhamento família é fundamental para que haja uma continuidade do trabalho realizado na escola. As crianças ficam na escola por volta de 4 horas, o que não é suficiente para que se apropriem dos conteúdos ensinados. É necessária uma troca, onde a família acompanhe a vida escolar de seu filho e interaja com os assuntos.

Os pais, na sua maioria, não possuem acesso às informações, muitas vezes não conseguindo auxiliar o filho de maneira satisfatória, uma vez que os conteúdos ensinados na escola são bastante diferentes dos conteúdos ensinados no período em que estes estudavam. Mas, sem dúvida, todo o pai tem condições de perguntar se os filhos fizeram a lição de casa.

3 AS NOVAS TECNOLOGIAS

A chegada das tecnologias, como a Internet nas escolas, trouxe novas maneiras de interagir com o conhecimento, onde a informação é acionada através de um clique e não apenas centrado na sala de aula.

Essas novas tecnologias somente farão sentido se forem aceitas e bem trabalhadas pelos professores, para que as possibilidades possam ser exploradas com ambientes próprios e materiais à disposição.
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Alguns educadores estão tendo dificuldades em acompanhar essas novas tecnologias. Uns por falta de infra-estrutura, já que ter um computador exige investimento. Nas escolas, fazem-se necessários micros à disposição dos professores, com acesso à Internet e softwares atuais, que possam auxiliá-los em sala.

Alguns profissionais da educação, mais conservadores, parecem relutar em aceitar qualquer novidade, talvez achando que a máquina irá substituir a sua função.
Diante das novas exigências existentes no sistema escolar, os professores necessitam mudar sua prática, a fim de reinventar algo já antigo, e que todos conhecem: a escola.

As reformas atuais confrontam os professores com dois desafios de envergadura: reinventar sua escola enquanto local de trabalho e reinventar a si próprios enquanto pessoas e membros de uma profissão. A maioria deles será obrigada a viver agora em condições de trabalho e em contextos profissionais totalmente novos, bem como assumir desafios intelectuais e emocionais muito diversos daqueles que caracterizavam o contexto escolar no qual aprenderam seu ofício. (PERRENAUD et al., 2002, p.89).

Na realidade, o que vai mudar com a inserção deste mundo virtual é a função deste educador, que passará a mediar às atividades desenvolvidas, questionando e orientando seus alunos a usarem de maneira correta esta nova ferramenta tecnológica. O professor deve conscientizar-se de que necessita atualizar-se ou vai perder espaço para aqueles que já dominam as novas tecnologias.

As crianças, quando adentram o mundo escolar, trazem consigo saberes já adquiridos e muitas vezes desconsiderados pelo professor. A partir desse momento, elas ficam sentadas, quietas, ouvindo o professor, pois ele é quem sabe o que deve ser aprendido. Isso mudou. Existe a necessidade de ir em busca de novos métodos educacionais, que priorizem a curiosidade e o dinamismo.

4. A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

A questão da violência preocupa os professores, que estão assustados e cansados de tentar ensinar para muitos que simplesmente não querem aprender. Esta violência não é um fenômeno novo, mas tem atingido outros patamares. Alunos que muitas vezes entram armados nas instituições escolares, onde o tráfico de drogas já faz parte do dia-a-dia escolar, reforçam ainda mais a insegurança dos educadores.

[...] surgiram formas de violência muito mais graves que outrora: homicídios, estupros, agressões com armas. É certo que são fatos que continuam muito raros, mas dão a impressão de que não há mais limite algum, que, daqui em diante, tudo pode acontecer na escola – o que contribui para produzir o que se poderia chamar de angústia social em face da violência na escola. (CHARLOT, 2005, p. 126).

Muito se fala sobre bullying, que são formas de atitude agressivas, muitas vezes realizadas de maneira velada, que ocorrem sem motivação aparente, adotadas por um ou mais estudantes. São formas de intimidar, não apenas fazendo uso da violência física, mas da psicológica, que deixando cicatrizes profundas no emocional dos indivíduos. Comentários depreciativos, falsos rumores sobre a vítima ou sobre seus familiares ou até mesmo o isolamento estão se fazendo presentes no cotidiano escolar.

A agressão é um ato que implica uma brutalidade física ou verbal [...] A violência remete a uma característica deste ato, enfatiza o uso da força, do poder, da dominação. De certo modo, toda agressão é violência na medida em que usa a força. Mas parece pertinente distinguir a agressão que utiliza a força apenas de maneira instrumental, até mesmo que se limita a uma simples ameaça (como a extorsão para se apossar, por exemplo, de tênis, de bonés ou de qualquer outro pertence pessoal de alguém: se a vitima não resiste, não é ferida) da agressão violenta, na qual a força é utilizada muito além do que é “exigido” pelo que se pretende, com uma espécie de prazer em causar mal, em destruir, em humilhar. (CHARLOT, 2005, p. 128).



Muitas são as teorias que tentam explicar a questão da violência. Muitas delas dão conta de que, onde existe o prazer pelo conhecimento, a violência acaba não prevalecendo. Para Charlot (2005, p. 65) “O fenômeno da violência não se encontra, ou pouco se encontra, em uma escola em que as crianças têm o prazer de estudar”.

O fato é que se está convivendo com situações conflitantes e ameaçadoras e que, quanto mais o tempo passa, maiores são as chances de haver uma banalização da violência. Muitas são as reflexões que devem ser feitas. Desta forma, sem sentir a gravidade da situação na qual toda sociedade é exposta, corre-se o risco das pessoas tornarem-se imunes à ela. Um risco a ser considerado.

5 . AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Crescem nas escolas alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. Mas afinal, como se consegue identificá-las? As crianças, quando iniciam seu processo de alfabetização, já sinalizam ao professor muitos de seus talentos e qualidades. Da mesma forma, conseguem manifestar suas inseguranças, dependendo dos assuntos discutidos e das atividades propostas.

Algumas delas sentem-se mais a vontade nas atividades de matemática, onde existe uma prevalência do raciocínio lógico-matemático. Outras preferem a área verbal, onde as atividades voltadas para a leitura e a escrita são realizadas com mais tranqüilidade.

Quando a dificuldade torna-se evidente e acaba prejudicando o desenvolvimento cognitivo do aluno, começa-se a pensar em uma dificuldade de aprendizagem que precisa ser investigada. Quando, por mais que o professor explique, utilize materiais e recursos diversificados, ofereça aulas diferenciais e dinâmicas o aluno não avançar, se faz necessária uma investigação mais apurada.

Os professores hoje precisam ser multifacetados. Existem muitos que conseguem, apesar de tantas adversidades, êxito em sala de aula, apesar do pouco tempo que muitos profissionais têm de elaborar suas atividades específicas da escola, como correção de avaliações e de trabalhos. Conforme Moysés (2000, p. 17):.

[...] a alguns estudos ou depoimentos que atestam que ainda há professores que conseguem fazer bem-feita a sua tarefa básica que é de ensinar. Porque aliam competência técnico-pedagógica a um grande empenho em dar o melhor de si, conseguem fazer com que seus alunos aprendam de uma forma rica e significativa. Sentem-se desafiados, sobretudo quando têm de ensinar àqueles rotulados como “os que não têm jeito”.

O que outrora era tratado como falta de interesse e “preguiça” em função de muitas pesquisas por parte de médicos e profissionais, foram sendo nomeadas e tratadas como transtornos, passíveis de tratamento, mas que requerem um olhar diferenciado por parte de todos os envolvidos com este ser em formação.

Na educação, sempre existiu uma preocupação com as notas, que estiveram sempre relacionadas com o sucesso ou fracasso de um aluno. Mas, muitas crianças ficam paralisadas diante do insucesso e acabam gerando processos depressivos e a perda da autoconfiança, gerando o tão temido fracasso escolar.

Estas dificuldades podem ocorrer por inúmeros fatores, orgânicos ou emocionais, que acabam sendo descobertos nas salas de aula por professores atentos e preocupados com o desenvolvimento de seus alunos.

A dificuldade mais conhecidas e citada atualmente é a dislexia, onde existe um comprometimento na parte de leitura e da escrita, não tendo nenhuma relação com a capacidade intelectual do individuo. É necessário estar atento a outras dificuldades tais como disgrafia (atenção na escrita, conhecidas como letra feia, normalmente desencadeada por problemas motores e que dificulta e compreensão do que está escrito), disortografia (escrita com muitos erros), discalculia (um distúrbio neurológico que afeta a habilidade com cálculos e números).

O TDA/H (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), causado por um distúrbio neurológico, também se faz presente nos ambientes escolares, sendo motivo de reuniões, estudos e capacitações, visando compreender o porquê do aumento destes casos nas escolas, bem como desenvolver estratégias para auxiliar os alunos em suas dificuldades.

A LDB (Lei de Diretrizes e Bases de Educação) de 20 de dezembro de 1996, em seu artigo V que trata da Educação Especial, estabelece que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.” Como esta lei determina as diretrizes da Educação no Brasil, deve ser cumprida. Mais uma vez caberá ao professor em sala de aula fazer acontecer esta inclusão, despertando nos alunos sentimentos como aceitação e solidariedade.

Sabe-se que este direito à educação é requisito básico para o desenvolvimento de um país, no entanto, muitos são os desafios enfrentados pelos professores para dar conta de mais esta responsabilidade.

6. AS POLÍTICAS PÚBLICAS

As políticas públicas, de certa maneira, parecem trabalhar contra a educação. Em alguns municípios, não existe mais reprovação, deixando os alunos a mercê de uma instituição onde não existem penalizações. Os alunos percebem que foram aprovados, mesmo sem mérito pessoal, criando um comportamento inadequado, achando que existem outras maneiras de vencer, não necessitando esforço para que isto aconteça.

Este modelo de não reprovação acarreta para a economia certo lucro, pois manter aluno em sala de aula custa dinheiro. Mas, a longo prazo, cria sérios problemas com alunos despreparados para atuar fora do espaço escolar.

Muitas coisas devem ser levadas em consideração para efetuar uma reprovação, pois, como tudo na vida, existirá sempre os prós e contras. Reprovar um aluno não pode ser visto como uma maneira do professor autoritário afirmar que apenas ele manda. Esta reprovação precisa ser analisada com consciência e sabedoria, pois de outra forma, virará ferramenta de poder nas mãos de professores despreparados.

A crise educacional vem acontecendo aos poucos e, na maioria das vezes, os envolvidos no processo acabam percebendo com mais clareza todos os resultados dessa transformação. As mudanças acabam se manifestando no dia-a dia dos professores, onde muitos ficam sem ação diante de algumas situações.

A crise educacional tem raízes estruturais históricas e se manifesta de formas diversas em conjunturas especificas: confronto do ensino laico x ensino confessional, conteúdos e metodologias, adequação e novas ideologias, democratização do acesso, gestão democrática, educação geral x formação especial, seriação x ciclos, progressão continuada x aprovação automática, educação de jovens e adultos, escolaridade reduzida, publico x privado, baixa qualidade de ensino [...] (CORTELLA, 2008, p.11, grifo do autor).

Os reflexos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), estão surtindo alguns efeitos negativos nas instituições escolares. Apesar das boas intenções pelas quais foi criado em 1990, muitas são as dificuldades que os educadores estão vivenciando, pois muito se fala nos direitos dos alunos, mas pouco nos deveres. O resultado disso são educadores acuados frente às falas e argumentos de pais e alunos, conhecedores unicamente dos direitos.

O assistencialismo hoje é um fator preocupante. As estratégias utilizadas pelo governo, como o Bolsa Escola, por exemplo, auxiliam e muito algumas famílias, provendo recursos para que seus filhos continuem estudando.

Hoje, as crianças matriculadas recebem material escolar (adquirido pelo governo do estado), merenda escolar de qualidade e até uniforme. Todas essas iniciativas são louváveis, mas desencadeiam problemas e, um deles, é o comodismo.

O governo, juntamente com sua equipe, deve estudar formas de aperfeiçoar este beneficio, no sentido de acompanhar de perto como está sendo utilizado, monitorando as famílias para que acompanhem o rendimento escolar de seus filhos, sob pena de corte no beneficio até que todas as normas estejam sendo cumpridas.

O que se percebe são crianças que valorizam pouco todas essas conquistas, achando que tudo é muito fácil. As próprias famílias ensinam aos filhos que é obrigação da escola oferecer o material escolar, sempre que necessário.

Esta fala já vem sendo repetida por crianças desde a mais tenra idade, faltando valorização dos que recebem por tantos benefícios. Oferecer benefícios sem exigir nada em troca soa como “prêmio”, estimulando apenas o comodismo. É necessário ensinar as pessoas a pescar, e não somente dar o peixe.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os tempos mudaram e a realidade escolar também. Precisamos nos adaptar a essas modernidades e iniciar a busca de alternativas que possam contribuir para equacionar todas as dificuldades surgidas ao longo desses anos na instituição escolar. A grande verdade é que nada mais será como antes.

A instituição familiar, os hábitos, os limites, a postura dos alunos em relação aos professores, a tecnologia presente, a violência e por aí vai. A nostalgia por parte dos mais antigos em nada contribuirá para sairmos dessa situação.

Fazem-se necessárias mudanças de mentalidade e muita esperança para que as coisas melhorarem. A tarefa é árdua, cabe aos professores mediar essas mudanças, pois é na escola que tudo acontece e onde todas as diversidades prevalecem.

A escola de hoje cumpre um papel determinante, pois vem repleta de desafios e deve continuar sendo um lugar destinado à aprendizagem, rica em recursos, onde os alunos possam interagir de maneira rápida, desenvolvendo sua capacidade de pensar, se expressar e tomar decisões com muita responsabilidade.

Todas essas mudanças necessitam ser pensadas de uma maneira responsável, onde professores, pais e alunos estejam presentes nas discussões, pois todos sairão ganhando. A escola ainda fará parte de nossas vidas por muito tempo e a nós, cabe a tarefa de torná-la atraente e moderna sem perder sua principal característica: a de ser um dos lugares onde conhecimento e os bons exemplos não podem faltar.

8 REFERÊNCIAS


CORTELLA, M. S. A escola é o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. São Paulo: Cortez, 2008.

CHARLOT, Bernard. Relação com o saber, formação dos professores e globalização: Questões para a educação hoje. Porto Alegre: Artmed, 2005.

MOYSÉS, Lúcia. O Desafio de saber ensinar. Campinas, SP: Papirus, 1994.

PERRENAUD, P. et al. As competências para ensinar no século XXI: A formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre, Artmed, 2002.

7 de agosto de 2009

O dever da família

As dez principais descobertas dos especialistas sobre quando e como os pais podem ajudar a despertar nos filhos a curiosidade intelectual e fazê-los alcançar um desempenho melhor nos estudos.

1. Ter bons livros em casa: E, no caso de filhos pequenos, ler para eles. O hábito, cultivado desde cedo, faz aumentar o vocabulário de forma espantosa. Segundo estudo do americano James Heckman, prêmio Nobel de Economia, uma criança de 8 anos que recebeu esse tipo de estímulo a partir dos 3 anos domina cerca de 12.000 palavras – o triplo de um aluno sem o menor empurrão.
2. Reservar um lugar tranquilo para os estudos: A ideia é cuidar que o ambiente ofereça o mínimo necessário: mesa, cadeira, boa iluminação e distância da televisão. Já na pré-escola, os pais podem definir o local e incentivar seu uso diário. Os benefícios, já quantificados, são os esperados: concentrado, o aluno aprende mais e erra menos.
3. Zelar pelo cumprimento da lição: Ainda que a criança seja pequena e a tarefa, bem fácil, é importante mostrar a relevância dela com gestos simples, como pedir para olhar o dever pronto ao chegar em casa. Até cerca de 10 anos, monitorar diariamente a execução da lição não é excessivo. Ao contrário. Esse é o momento de começar a sedimentar uma rotina de estudos, com horário e local, mesmo que seja mais uma brincadeira. Os melhores alunos do mundo levam as tarefas de casa a sério.
4. Orientar, mas jamais dar a resposta certa: Solucionar o problema é uma tentação frequente dos pais quando são acionados a ajudar na tarefa de casa. Não funciona. O que dá certo, isso sim, é recomendar uma leitura mais atenta do enunciado, tentar provocar uma nova reflexão sobre o assunto e, no caso de filhos mais velhos, sugerir uma boa fonte de pesquisas.
5. Preservar o tempo livre: Muitos pais, por proporcionar o maior número de oportunidades aos filhos, lotam a sua agenda de atividades fora da escola. O resultado é que sobra pouco tempo para brincar, esse também um momento sabidamente precioso para o aprendizado. Na escola, por sua vez, crianças com rotinas atribuladas demais costumam demonstrar cansaço, o que frequentemente compromete o próprio rendimento.
6. Comparecer à reunião de pais: Mesmo que seja muitas vezes enfadonha, ela proporciona no mínimo uma chance de sentir o ambiente na escola, saber da experiência dos demais alunos e tomar contato com a visão dos outros pais.
7. Conversar sobre a escola: A manifestação de interesse, por si só, é um indicativo do valor dado à educação pela família. Os efeitos são ainda maiores quando o estudo é tratado como algo agradável e aplicável à vida prática, e não fardo. Um pai que consegue produzir esse tipo de ambiente em casa aumenta em até 40% as chances de o filho se tornar um bom aluno, segundo pesquisas de um centro de pesquisas do governo americano.
8. Monitorar o boletim: No caso de um resultado ruim, o melhor a fazer é definir um plano para melhorar o desempenho – mas não sem antes consultar a escola e avisar o filho que está fazendo isso. O objetivo aí é estabelecer, junto com o colégio uma estratégia para reverter a situação e saber qual será, exatamente, sua participação. Está mais do que provado que castigo nesse caso, não funciona. Só diminui o grau de autoconfiança, já baixa, e agrava o desinteresse pelos estudos.
9. Procurar o colégio no começo do ano: É a ocasião em que cabe perguntar, pelo menos em linhas gerais, o que a escola pretende ensinar em cada matéria. Trata-se do mínimo para poder acompanhar tais metas e, se preciso, cobrar sua execução.
10. Não fazer pressão na hora do vestibular: O excesso de pressão por parte da família só atrapalha no momento mais tenso na vida de um estudante.

Retirado da Revista Veja ( agosto/ 2009)

19 de julho de 2009

iupiiiiiiiiiii, selinhos

Minhas queridas amigas blogueiras. Ando meio sumida, felizmente por questões de trabalho mesmo. Agora, finalizando mais um artigo, e isto demanda tempo e pesquisas, vocês sabem disso! Quero agradecer as visitas e o carinho de todas viu?

Agora, vamos colocar em dias os carinhos recebidos!





Crescer aprender sonhar






Recebido de Sandra Aprender e Sonhar













"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." (Paulo Freire)


Ganhei da Tania:

http://pescarideias.blogspot.com/

A psicomotricidade como pré requisito ao processo de alfabetização.

Psicomotricidade é uma prática pedagógica que objetiva colaborar para o desenvolvimento global da criança no processo de ensino-aprendizagem, proporcionando os aspectos físicos, mental, e sócio-cultural, visando coerência com a realidade dos educandos. É a capacidade de coordenar os movimentos pressupondo o exercício de múltiplas funções psicológicas, motoras, de memorização, atenção, observação, raciocínio, discriminação, etc. O entendimento dos processos relacionados à motricidade é de suma importância para o planejamento pedagógico e psicopedagógico, centrado no desenvolvimento do aprendiz. Várias crianças tem apresentado deficit de aprendizagem devido á ausência de trabalhos focando certas habilidades necessárias a este avanço. Neste caso é necessário o apoio de um Psicopedagogo, que fará o diagnóstico e certamente, indicará a melhor maneira de se trabalhar com estas crianças. Todavia, este quadro pode ser evitado, se as Instituições responsáveis pela Educação Infantil adotarem o "brincar" como recurso necessário e diário em seus planejamentos.
A criança que anda sobre uma linha no chão; pula pneus, corda, amarelinha; rasteja; corre; engatinha; encontra objetos escondidos; percebe diferenças entre o cenário anterior e o atual; participa de atividades de musicalização; canta; dança; brinca de roda, de cabra cega, de passar anel, de baliza, de pique-pega, de pique-esconde, de pique-cola, de macaco disse, de Maria viola, etc... dificilmente apresentará dificuldades no processo de alfabetização. Os tradicionais rabinhos de porco e pontilhados dão lugar ao brincar com função pedagógica, andar sobre o rabinho de porco, desenhar no chão e observar seu desenho e os desenhos dos colegas. Ainda, adquirir ritmo através da musicalização, esquerda / direita, em cima / em baixo, fino / grosso, alto / baixo, grande / pequeno e tantas outra habilidades que possibilitam um rápido entendimento do processo de escrita e da leitura. Movimentos de pinça (pegar objetos com a ponta dos dedos), soprar canudinhos (bolinha de sabão), confeccionar pipas e brinquedos, rasgar e embolar papéis, reconhecimento de partes do seu corpo (macaco disse), favorecem o pegar no lápis e nos demais objetos escolares, estimulam o traçado das letras e a observação das diferenças entre b e d, por exemplo.
As trocas de V por F, D por T, podem ser evitadas desenvolvendo atividades que estimulem a percepção auditiva das crianças. Essas atividades possibilitam também a socialização dos educandos, respeito à sua vez, e às regras das atividades, disciplina e cooperação. A criança que tem o previlégio de fazer parte de uma Educação Infantil que enfatize as brincadeiras em seus planejamentos, certamente não encontrará dificuldades no processo de alfabetização, pois aprendeu de forma concreta, aquilo que no tempo certo irá colocar no papel. Em controvérsia, quando esta fase não é trabalhada, os danos se estenderão por boa parte - ou toda - a vida escolar da criança. A alfabetização pode e deve ser trabalhada na Educação Infantil, desde que isto aconteça de forma lúdica respeitando a idade e o tempo da criança.
Autora: Angela Adriana de Almeida Lima


Sindrome de Down - Você não está só!

Nós entendemos que, ao receber a notícia, você se sente como se fosse a única pessoa do mundo que tem um problema para resolver. Sentimentos de insegurança e incerteza, bem como dúvidas sobre como tratar a criança e o que o futuro lhe reserva, podem surgir. Procure informações corretas, através de médicos, profissionais especializados ou mesmo outros pais. Várias pessoas já passaram e passam todos os dias pelas dúvidas e incertezas que você está passando e podem ajudá-lo a entender melhor o que está acontecendo.A Internet é um recurso fabuloso, mas é, ao mesmo tempo, o melhor e o pior dos mundos. Como a rede não tem limites de espaço você vai encontrar tudo que já foi escrito a respeito do assunto, seja a descoberta mais recente, como os conceitos mais ultrapassados e, pior, nem sempre o que você encontra tem data. Você corre o risco de acreditar em afirmações que foram feitas há mais de 50 anos, só porque o site é bonitinho.Não confie demasiadamente em textos com mais de 5 anos. A evolução, tanto na área médica quanto na qualidade de vida de pessoas com síndrome de Down tem sido enorme e acontecido a passos largos.Algumas dicas podem ser úteis :
1.Não se deixe influenciar pela opinião de pessoas que nunca conviveram diretamente com uma criança com síndrome de Down, geralmente elas têm informações desatualizadas, preconceituosas e erradas – inclusive a mídia (jornais, revistas, tvs) e médicos que nunca atenderam essas crianças, mas falam a partir de longos textos acadêmicos que estudaram (e que, provavelmente, encontram-se muito desatualizados).
2.Diagnóstico não é profecia : o futuro do seu filho vai depender daquilo que você der condições e oportunidade para ele fazer e não do que um profissional possa ter dito em uma entrevista que você encontrou em um site.
3.Não fique correndo atrás de "cura milagrosa" : Existem dezenas de promessas na Internet, algumas até bem intencionadas (pessoas que realmente acreditam no que falam, mesmo que tecnicamente estejam totalmente erradas), e muitas má-intencionadas, que só querem se aproveitar de um momento delicado das famílias. Se você se deixa iludir por falsas promessas de cura ou de terapias que vão fazer do seu filho uma criança "normal", você deixa de aproveitar o tempo para investir nos potenciais e habilidades dele.
4.Conheça outros pais e outras crianças : a experiência dos outros sempre vai ser útil, mas não esqueça que você é diferente dos outros pais e seu filho diferente de outras crianças que tenham a mesma "deficiência". Participe de grupos de discussão, conheça associações, descubra o que eles estão fazendo, como estão fazendo. Mas nunca deixe de usar o seu filtro crítico para julgar o que, dentro dos seus valores familiares, é melhor para o seu filho.
5.Cuidado com o excesso de informação : Mesmo quando verdadeira e atualizada, existe muita informação que, dependendo do momento, é desnecessária. Seu filho acabou de nascer, não se angustie sobre as questões da adolescência. Não entre em paranóia porque algumas questões médicas têm uma maior incidência nas pessoas com síndrome de Down. Converse com outras pessoas – especialmente com o pediatra do seu filho – a respeito delas. Com o tempo você vai começar a distinguir as que lhe serão úteis das demais.

Mimos que recebi...

Mimos que recebi...
como é bom ganhar presentes!

mimos e mimos...

mimos e mimos...
bom demais!

Mimo dado pela Casa de Patinhos

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Visitem, vale a pena!!!